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Leitura: Cemitérios e turismo cultural: Tiago Schietti aponta como esses espaços podem se tornar atrações patrimoniais nas cidades
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Cemitérios e turismo cultural: Tiago Schietti aponta como esses espaços podem se tornar atrações patrimoniais nas cidades

Por Oliver Sundvik
maio 22, 2026
6 Min de leitura
Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti
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Segundo Tiago Schietti, os cemitérios brasileiros guardam muito mais do que memórias afetivas: eles representam arquivos vivos da história urbana, social e artística de cada cidade. Esses espaços abrigam esculturas, mausoléus, epitáfios e trajetórias humanas que, quando bem preservados e apresentados ao público, tornam-se verdadeiros destinos de turismo cultural. Ao longo deste artigo, você vai entender por que os cemitérios merecem um olhar patrimonial renovado, quais exemplos ao redor do mundo já comprovam esse potencial e de que forma as cidades brasileiras podem transformar esses territórios em atrações relevantes. Continue a leitura e descubra como a morte pode, paradoxalmente, dar vida ao turismo urbano.

Contents
O que o turismo cemiterial revela sobre a identidade de uma cidade?Quais práticas tornam um cemitério uma atração patrimonial de fato?De que forma o poder público pode apoiar essa transformação?Cemitérios e turismo cultural: quais são os desafios éticos dessa aproximação?O patrimônio que ainda aguarda reconhecimento

O que o turismo cemiterial revela sobre a identidade de uma cidade?

A identidade urbana se constrói a partir de camadas sobrepostas de história, e os cemitérios são uma dessas camadas mais densas e reveladoras. Neles, é possível rastrear a presença de imigrantes, a influência de ordens religiosas, os contrastes entre classes sociais e até as transformações dos estilos artísticos ao longo dos séculos. Tiago Schietti observa que ignorar esse potencial é desperdiçar um recurso patrimonial que já existe, está construído e aguarda apenas uma gestão mais criativa e sensível.

Cidades como Buenos Aires, Paris e Lisboa transformaram seus cemitérios em pontos turísticos de prestígio internacional. No Brasil, o Cemitério da Consolação, em São Paulo, e o São João Batista, no Rio de Janeiro, já recebem visitantes interessados em suas esculturas e em seus personagens históricos. O caminho, portanto, já está traçado; falta ampliar essa lógica para outras cidades e cemitérios com igual potencial simbólico.

Quais práticas tornam um cemitério uma atração patrimonial de fato?

Transformar um cemitério em atração cultural exige planejamento, investimento e, sobretudo, sensibilidade. Algumas práticas já demonstraram resultados concretos em diferentes contextos urbanos e podem ser adaptadas à realidade brasileira. Entre as iniciativas mais eficazes, destacam-se:

  • Implantação de roteiros históricos guiados com foco em personagens e períodos relevantes para a cidade;
  • Sinalização interpretativa nos túmulos e mausoléus de maior valor artístico e histórico;
  • Parcerias com universidades e institutos de patrimônio para catalogação e pesquisa do acervo tumular;
  • Programação cultural periódica, como saraus, exposições fotográficas e leituras de poesia;
  • Digitalização do acervo para ampliar o acesso e atrair públicos além do presencial.

Essas ações, em conjunto, criam um ecossistema de valorização que beneficia tanto o turismo quanto a preservação. Sob essa ótica, o cemitério deixa de ser apenas um espaço de passagem e passa a integrar a agenda cultural permanente da cidade, atraindo moradores e turistas com igual interesse.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

De que forma o poder público pode apoiar essa transformação?

A viabilização do turismo cemiterial como política pública depende de articulação entre diferentes instâncias: gestores municipais, órgãos de cultura, secretarias de turismo e comunidades locais. Conforme aponta Tiago Schietti, a ausência de uma política patrimonial integrada é um dos principais obstáculos para que os cemitérios brasileiros alcancem o mesmo reconhecimento que congêneres internacionais já conquistaram. Inventariar, tombas e divulgar são etapas que precisam caminhar juntas.

Outrossim, o financiamento de projetos culturais voltados a esses espaços pode vir de editais públicos, leis de incentivo fiscal e parcerias com o setor privado. Em cidades onde o cemitério possui forte apelo histórico, o retorno em termos de fluxo turístico e fortalecimento da identidade local tende a superar em muito o investimento inicial. A questão, portanto, não é se vale a pena, mas como estruturar esse processo com responsabilidade e visão de longo prazo.

Cemitérios e turismo cultural: quais são os desafios éticos dessa aproximação?

Toda discussão sobre o uso turístico de cemitérios precisa enfrentar, com transparência, a dimensão ética que envolve esses espaços. Eles continuam sendo locais de sepultamento e de dor para famílias reais, e qualquer iniciativa cultural deve respeitar essa função primária. Para Tiago Schietti, o equilíbrio entre preservação, visitação e respeito às famílias enlutadas é o ponto central que define o sucesso ou o fracasso de qualquer projeto nesse sentido.

Esse equilíbrio se alcança com protocolos claros de visitação, horários definidos, comunicação respeitosa e participação das comunidades diretamente ligadas ao espaço. Quando bem conduzida, a abertura cultural de um cemitério não viola sua dignidade; ao contrário, reforça o compromisso coletivo com a memória daqueles que ali repousam, elevando o cuidado e a atenção dedicados ao local.

O patrimônio que ainda aguarda reconhecimento

Em síntese, os cemitérios brasileiros reúnem condições objetivas para se tornarem atrações patrimoniais de relevância nacional e internacional. Há arte, história, arquitetura e narrativa humana em cada lápide, em cada escultura, em cada alameda sombreada. Como destaca Tiago Schietti, o que falta, na maior parte dos casos, é vontade política, gestão qualificada e uma mudança cultural que nos permita enxergar esses espaços além do luto.

O turismo cemiterial não é uma excentricidade; é uma forma madura e respeitosa de lidar com a memória coletiva. Cidades que souberem aproveitar esse potencial não apenas diversificarão sua oferta turística, mas também fortalecerão o vínculo entre seus habitantes e a própria história. O patrimônio está lá, construído, esperando apenas por quem tenha coragem de valorizá-lo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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