Mostra de Protótipos reuniu 25 trabalhos e criou uma ponte entre formação acadêmica, inovação, empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios.
A relação entre universidade e mercado de tecnologia está ganhando novos caminhos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma mostra realizada pelo Centro de Tecnologia da instituição reuniu 25 projetos desenvolvidos por estudantes e colocou em evidência soluções que vão de inteligência artificial e softwares a drones, mobilidade elétrica, robótica e tecnologias voltadas à saúde. O evento, realizado em 17 de setembro e divulgado pela universidade em 22 de setembro de 2026, também apresentou possibilidades para que trabalhos acadêmicos avancem além da sala de aula e cheguem ao mercado.
A iniciativa chama atenção porque o desenvolvimento de um projeto tecnológico durante a graduação nem sempre termina com a apresentação de um protótipo ou com a entrega de um trabalho acadêmico. Na UFSM, os projetos selecionados na Mostra de Protótipos 2026 receberão mentorias do Sebrae e do Sicredi para estruturar modelos de negócio. A proposta aproxima estudantes de uma etapa que costuma ser decisiva para transformar uma ideia desenvolvida durante a formação em uma solução com aplicação prática.
Como os projetos desenvolvidos por estudantes podem chegar ao mercado?
A Mostra de Protótipos 2026 foi organizada pelo Centro de Tecnologia da UFSM com o objetivo de aproximar a formação acadêmica do ecossistema de inovação. Segundo a universidade, os 25 trabalhos apresentados combinam desenvolvimento técnico e possibilidades de aplicação em diferentes setores. A iniciativa também apresentou aos estudantes a chamada jornada empreendedora, que pode começar ainda dentro da universidade e avançar para etapas de pré-incubação, incubação e inserção no Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia da UFSM, o InovaTec. (UFSM)
Esse caminho muda a relação entre estudo e tecnologia porque permite que conhecimentos aprendidos em disciplinas, projetos integradores e pesquisas sejam testados diante de problemas concretos. Um dos exemplos apresentados pela UFSM é o da FOX IoT, empresa que nasceu como uma ideia desenvolvida dentro do Centro de Tecnologia e posteriormente passou pela incubadora Pulsar até chegar ao InovaTec. A trajetória mostra como uma proposta acadêmica pode passar por diferentes fases antes de se transformar em uma iniciativa empresarial. (UFSM)
Entre os projetos apresentados também está o MealWise, desenvolvido por estudantes de Engenharia de Computação. A plataforma busca comercializar alimentos próximos do vencimento por preços reduzidos e utilizar uma rede de entregas formada por estudantes, conectando tecnologia, aproveitamento de alimentos e permanência universitária. O projeto surgiu a partir da percepção dos próprios acadêmicos sobre dificuldades financeiras enfrentadas por estudantes e já passa por uma etapa de validação junto a estabelecimentos do campus e da cidade. (UFSM)
Quais tecnologias estão sendo desenvolvidas pelos estudantes?
A variedade de projetos apresentados mostra que a tecnologia acadêmica não está limitada ao desenvolvimento de aplicativos ou sistemas de inteligência artificial. Um dos trabalhos destacados foi o Academic Companion, plataforma EdTech criada pelo estudante Fernando Dorneles da Silva para reunir informações sobre bolsas e editais que podem estar espalhadas por diferentes canais de comunicação da universidade. O projeto utiliza inteligência artificial para auxiliar na gestão da trajetória acadêmica e busca facilitar o acesso dos estudantes a oportunidades. (UFSM)
Outro projeto apresentado foi o Murais Digitais, desenvolvido na Engenharia de Computação. A solução utiliza telas inteligentes instaladas nos prédios da universidade para distribuir avisos segmentados, incluindo acesso por QR Code. A proposta demonstra como recursos relativamente simples podem ser utilizados para melhorar a comunicação dentro de uma instituição de ensino e criar experiências digitais mais integradas para estudantes e servidores. (UFSM)
A mostra também levou ao público projetos envolvendo drones, mobilidade elétrica e sistemas embarcados. A JVS Ground Station, por exemplo, é uma estação de controle multiprotocolo para veículos aéreos não tripulados, enquanto outro trabalho desenvolveu um módulo de controle de motor para bicicletas elétricas. Também foram apresentados projetos relacionados a robótica, tecnologia 5G, nanossatélites, impressão 3D, próteses, reabilitação motora e sensores para equipamentos assistivos. (UFSM)
Por que a experiência prática ganhou espaço na formação tecnológica?
A aproximação entre formação acadêmica e mercado responde a uma mudança importante no ensino de tecnologia. Para além do domínio teórico, estudantes precisam experimentar processos de desenvolvimento, testes, validação e comunicação de soluções. A própria UFSM utiliza a metodologia CDIO — Conceber, Projetar, Implementar e Operar — no Centro de Tecnologia, uma abordagem que coloca a aplicação prática como parte do processo de formação. (UFSM)
Essa experiência também pode ajudar o estudante a compreender que uma tecnologia precisa solucionar um problema real para alcançar relevância fora da universidade. Um protótipo pode funcionar tecnicamente, mas ainda precisar de ajustes de custo, usabilidade, modelo de negócio, público-alvo e infraestrutura antes de ser transformado em produto ou serviço. Por isso, a participação de instituições como Sebrae e Sicredi nas mentorias previstas para os projetos selecionados acrescenta uma etapa de preparação que vai além do desenvolvimento tecnológico.
O Centro de Tecnologia da UFSM reúne atualmente cursos de graduação e programas de pós-graduação nas áreas de Arquitetura, Computação e Engenharia, além de laboratórios e núcleos voltados ao ensino, pesquisa e extensão. Nesse ambiente, iniciativas como a Mostra de Protótipos funcionam como uma ponte entre diferentes etapas da vida acadêmica: o aprendizado em sala, a pesquisa, a criação de soluções, o contato com problemas da sociedade e a possibilidade de empreendedorismo tecnológico. (UFSM)
A tendência é que esse tipo de integração continue ganhando espaço na formação de profissionais de tecnologia. Quando estudantes têm a oportunidade de testar suas ideias em ambientes próximos ao mercado, a universidade deixa de ser apenas o local onde o conhecimento é produzido e passa também a funcionar como espaço de experimentação de soluções. No caso da UFSM, os 25 projetos apresentados em 2026 mostram diferentes possibilidades para essa conexão, enquanto as mentorias previstas podem ajudar algumas dessas ideias a avançar para novas etapas de desenvolvimento e aplicação. (UFSM)