O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em 9 de setembro de 2026, o Parecer CFM nº 24/2026, com orientações para a proteção de médicos envolvidos em eventos adversos nos serviços de saúde. O documento recomenda que hospitais e demais instituições assistenciais ofereçam suporte estruturado aos profissionais que participaram do atendimento, além das medidas destinadas ao paciente.
Na análise apresentada pelo conselho, esses médicos são tratados como “segundas vítimas” no contexto da assistência à saúde. A expressão busca destacar que o profissional envolvido em um incidente também pode precisar de acolhimento e acompanhamento institucional. O parecer, no entanto, não autoriza presumir consequências individuais nem substitui a avaliação específica de cada situação.
Segundo a publicação do Conselho Federal de Medicina, a resposta a um evento adverso não deve se limitar à investigação do ocorrido ou ao atendimento prestado ao paciente. A instituição precisa considerar também as condições de trabalho e o suporte necessário ao médico que participou da assistência.
Rede de apoio deve envolver diferentes frentes
O parecer orienta a criação de redes qualificadas de apoio, com atuação em diferentes dimensões. Entre as frentes mencionadas estão o suporte emocional, a orientação jurídica e a proteção da segurança física dos médicos. A recomendação coloca os gestores hospitalares diante da necessidade de organizar fluxos capazes de acolher o profissional após o incidente.
Esse apoio deve estar inserido na estrutura da instituição, e não depender apenas de iniciativas individuais ou informais. A proposta apresentada pelo CFM relaciona o cuidado aos médicos à construção de uma cultura de segurança justa, na qual os acontecimentos possam ser analisados de forma organizada e com atenção aos fatores envolvidos na assistência.
O acolhimento também é associado à revisão de processos internos. A partir da análise do evento, os serviços podem identificar circunstâncias que tenham contribuído para a ocorrência e avaliar mudanças destinadas a reduzir a possibilidade de novas falhas. O enfoque, portanto, combina proteção profissional, gestão de risco e segurança do paciente.
Papel dos diretores técnicos
O documento atribui relevância à atuação dos diretores técnicos na organização dessas redes de apoio. Conforme a notícia do CFM, esses dirigentes devem trabalhar com os mantenedores para estruturar mecanismos qualificados de acolhimento aos médicos que integram o corpo clínico.
A orientação é relacionada pelo conselho à Resolução CFM nº 2.147/2016, que trata das atribuições do diretor técnico na liderança e na organização dos estabelecimentos de saúde. O texto normativo pode ser consultado no sistema de normas do Conselho Federal de Medicina, indicado como referência para a discussão apresentada no parecer.
Na prática institucional, a recomendação reforça que a gestão deve definir responsabilidades e procedimentos para os momentos posteriores a um evento adverso. Isso inclui estabelecer como o médico será recebido, quais canais de suporte estarão disponíveis e de que maneira a instituição conduzirá a análise do caso, sem deixar de considerar as necessidades do paciente e da equipe.
Segurança do paciente e saúde dos profissionais
O debate proposto pelo CFM amplia a discussão sobre segurança assistencial ao incluir a experiência dos profissionais envolvidos nos incidentes. A instituição passa a ser chamada a olhar simultaneamente para o cuidado do paciente, para as condições de trabalho da equipe e para o aperfeiçoamento dos processos internos.
O parecer também aproxima a gestão de eventos adversos das políticas de saúde mental dos médicos, mas sem estabelecer diagnósticos ou afirmar que todos os profissionais terão as mesmas reações. O apoio deve ser oferecido de acordo com a situação concreta e com os recursos necessários para cada caso, respeitando a avaliação dos envolvidos.
Para hospitais e serviços de saúde, a recomendação representa um chamado à formalização de práticas de acolhimento. Ao indicar redes com suporte emocional, jurídico e de segurança, o CFM sustenta que a proteção do médico deve fazer parte da resposta institucional aos eventos adversos. A medida é apresentada como componente da cultura de segurança e da responsabilidade de gestão no ambiente assistencial.