Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanhou de perto, ao longo dos últimos anos, a evolução do projeto que prevê a realocação de um trecho do oleoduto da Linha 5, da Enbridge, para um túnel de serviço sob o Estreito de Mackinac, em Michigan. A aprovação concedida pela Comissão de Serviço Público de Michigan, em dezembro de 2023, representou um marco decisivo nesse processo e abriu, de forma concreta, espaço para a atuação da engenharia brasileira em um dos projetos mais sensíveis do setor energético norte-americano.
A decisão da comissão, tomada por votação unânime, autorizou a implantação do chamado “Túnel dos Grandes Lagos”, concebido para reduzir os riscos associados à operação de um oleoduto envelhecido que cruza uma das regiões ambientalmente mais sensíveis dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a aprovação reforçou a viabilidade técnica de soluções construtivas em ambientes confinados, exatamente o campo de especialidade da Liderroll, que já havia sido consultada desde as fases iniciais do debate.
Um projeto de alta complexidade técnica
O túnel aprovado possui cerca de sete quilômetros de extensão, com um traçado que envolve um grande declive seguido de aclive acentuado, características que tornam o lançamento da tubulação um desafio de engenharia pouco comum. Trata-se de um cenário semelhante, em termos de complexidade, a projetos executados anteriormente no Brasil, como os túneis do Gasduc III, no Rio de Janeiro, e do Gastau, em São Paulo, ambos realizados com tecnologias desenvolvidas pela Liderroll.
Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que esses antecedentes técnicos foram fundamentais para que a empresa brasileira passasse a ser considerada uma alternativa viável no contexto do projeto da Linha 5. A tecnologia patenteada da Liderroll, já reconhecida em dezenas de países, mostrou-se adequada para operações em túneis longos, de pequeno diâmetro e com condições geométricas adversas, como aquelas encontradas sob o Estreito de Mackinac.
A controvérsia em torno da Linha 5
A Linha 5 é objeto de debates e disputas judiciais há muitos anos. Construído na década de 1950, o oleoduto transporta diariamente centenas de milhares de barris de petróleo bruto e líquidos de gás natural entre o Canadá e os Estados Unidos, atendendo refinarias, aeroportos e sistemas de aquecimento residencial em diversas regiões. Um incidente ocorrido em 2018, quando a âncora de uma embarcação danificou o revestimento do oleoduto, intensificou as preocupações ambientais e trouxe o tema para o centro do debate público em Michigan.

Desde então, diferentes governos estaduais tentaram interromper a operação da Linha 5, alegando riscos aos Grandes Lagos. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que, ao mesmo tempo, estudos técnicos indicaram que alternativas como transporte por caminhões, trens ou barcaças poderiam ampliar ainda mais os riscos ambientais e operacionais. Foi nesse contexto que a proposta do túnel ganhou força como solução intermediária, capaz de manter o abastecimento energético e, ao mesmo tempo, mitigar vulnerabilidades do sistema existente.
O papel da Liderroll no debate técnico
O Petronotícias acompanhou esse tema desde as primeiras consultas feitas por engenheiros da Enbridge à Liderroll, ainda em 2018, durante uma feira internacional de pipelines realizada no Canadá. Desde então, o corpo técnico da empresa brasileira passou a estudar o projeto, propondo soluções compatíveis com as exigências ambientais e operacionais do túnel.
Paulo Roberto Gomes Fernandes chegou a participar de audiências públicas em Michigan, nas quais apresentou, de forma detalhada, exemplos práticos de obras realizadas no Brasil. Na ocasião, foram expostos dados sobre o lançamento de dutos de grande diâmetro em túneis longos e confinados, com destaque para a velocidade de execução e os padrões de segurança adotados. Essas apresentações ajudaram a transformar um conceito até então visto apenas em desenhos técnicos em uma solução comprovada em campo.
Manutenção, segurança e visão de longo prazo
Outro ponto recorrente nas discussões conduzidas por Paulo Roberto Gomes Fernandes foi a importância da manutenção preventiva em túneis desse tipo. Ambientes confinados, permanentemente úmidos, sem incidência solar e com variações térmicas significativas, exigem projetos que já considerem o acesso futuro para inspeção e manutenção das linhas. Essa preocupação, incorporada desde a concepção das soluções da Liderroll, foi apontada como um diferencial relevante frente às alternativas analisadas.
Com a aprovação do projeto do túnel pela Comissão de Serviço Público de Michigan, restava, à época, a conclusão das análises ambientais conduzidas pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. Ainda que outros entraves regulatórios persistissem, a decisão de dezembro de 2023 consolidou a percepção de que a engenharia brasileira poderia desempenhar um papel central em um projeto estratégico para a segurança energética da América do Norte.
Visto a partir de janeiro de 2026, esse episódio representa mais um capítulo na internacionalização da Liderroll e no reconhecimento de soluções desenvolvidas no Brasil para desafios de infraestrutura em escala global.
Autor: Mikesh Sarsana