Evento reúne estudantes, pesquisadores e professores em Florianópolis para discutir IA, aprendizagem imersiva e transformação da educação.
O avanço da inteligência artificial já está mudando a maneira como estudantes pesquisam, produzem trabalhos e acessam conteúdos, mas também levanta novas questões sobre o futuro da educação. É nesse cenário que o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) realiza, em Florianópolis, o VII Congresso Internacional da Rede de Educação OnLIFE, evento que reúne pesquisadores, professores, estudantes e profissionais ligados à educação para discutir os impactos das novas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem.
Realizado entre 22 e 26 de setembro de 2026, o congresso tem como tema “Inteligência Artificial, CoInteligências e Hiperinteligências” e combina atividades presenciais e on-line. A programação inclui conferências, painéis, apresentação de pesquisas, mostra científica e feira tecnológica, aproximando a discussão acadêmica das ferramentas digitais que já fazem parte da rotina de escolas e universidades.
O que o congresso do IFSC discute sobre inteligência artificial na educação?
A proposta do evento parte de uma mudança importante no debate educacional: a inteligência artificial deixou de ser apenas uma possibilidade futura e passou a fazer parte do cotidiano de estudantes e professores. Por isso, a discussão apresentada no congresso não se limita ao funcionamento de ferramentas de IA, mas procura analisar como essas tecnologias podem modificar as relações entre pessoas, conhecimento, plataformas digitais e ambientes de aprendizagem.
Entre os temas presentes na programação estão inteligência artificial generativa, algoritmos, plataformas inteligentes e automação, além dos impactos éticos, pedagógicos e relacionados à produção de conhecimento. O congresso também aborda conceitos como “CoInteligência” e “Hiperinteligência”, utilizados para discutir novas formas de interação entre pessoas e tecnologias no processo educacional.
A programação contempla ainda a aprendizagem imersiva, com debates sobre games, gamificação, realidade estendida, metaversos e tecnologias vestíveis. A proposta amplia a discussão para além do uso de computadores ou ferramentas de texto, mostrando como diferentes ambientes digitais podem ser incorporados à formação acadêmica e profissional.
Para estudantes, esse debate tem impacto direto na maneira como as atividades acadêmicas podem ser desenvolvidas nos próximos anos. A questão passa a envolver não apenas quais ferramentas utilizar, mas também como avaliar informações produzidas por sistemas de IA, desenvolver pensamento crítico, preservar a autoria e utilizar recursos tecnológicos como apoio ao aprendizado.
Como estudantes e pesquisadores participam do evento em Florianópolis?
Um dos diferenciais do congresso é a participação direta da comunidade acadêmica na apresentação de pesquisas. Ao todo, foram selecionados 60 trabalhos científicos, distribuídos em 12 trilhas temáticas que abrangem diferentes áreas da educação, tecnologia e inovação.
Entre os eixos estão educação profissional, científica e tecnológica; formação em contextos conectados; aprendizagem imersiva; inteligência artificial; empreendedorismo; plataformas digitais; ecossistemas de inovação; educação corporativa e tecnologias vestíveis. Dessa forma, o evento cria espaço para que pesquisas acadêmicas sejam apresentadas e discutidas por participantes de diferentes instituições.
A programação também reúne especialistas do Brasil e de outros países. Participam pesquisadores e profissionais de Portugal, Espanha, Moçambique e Estados Unidos, ampliando a troca de experiências sobre como diferentes sistemas educacionais estão lidando com a transformação digital.
Nesta quinta-feira, 24 de setembro, a programação inclui o painel sobre aprendizagem imersiva, com discussões envolvendo games, realidade estendida e metaversos como possíveis territórios de aprendizagem. Também está previsto um painel sobre empreendedorismo e educação empreendedora cidadã, aproximando a formação acadêmica de temas relacionados à inovação e ao mercado de trabalho.
O formato híbrido também permite que estudantes e pesquisadores acompanhem parte das atividades pela internet. Segundo a organização, as atividades presenciais têm limite de participantes, enquanto a participação on-line possui disponibilidade mais ampla. Isso permite que pessoas que não estão em Florianópolis acompanhem conferências e painéis sem precisar se deslocar até Santa Catarina.
O que muda para quem estuda e pesquisa com o avanço da IA?
A presença cada vez maior da inteligência artificial no ambiente acadêmico traz uma transformação que vai além da simples adoção de novas ferramentas. Para estudantes, pesquisar um assunto, organizar informações, produzir textos ou desenvolver projetos pode envolver sistemas capazes de gerar conteúdos, analisar dados e auxiliar em diferentes etapas do trabalho.
Isso cria novas oportunidades, mas também exige preparação. O uso de IA em atividades acadêmicas aumenta a importância de competências como checagem de informações, interpretação de dados, pensamento crítico e compreensão dos limites das ferramentas digitais. Uma resposta produzida automaticamente não elimina a necessidade de avaliação humana, especialmente em trabalhos científicos e atividades que exigem fontes confiáveis.
O congresso organizado pelo IFSC coloca justamente essa transformação no centro da discussão. Ao reunir pesquisadores, estudantes, professores e profissionais de diferentes áreas, o evento mostra que a discussão sobre inteligência artificial na educação não está restrita às disciplinas de tecnologia. Ela envolve também pedagogia, formação profissional, pesquisa científica, comunicação, inovação e relações sociais.
Para a vida acadêmica, esse cenário significa que estudantes precisarão lidar cada vez mais com ferramentas digitais ao mesmo tempo em que desenvolvem competências que não podem ser reduzidas à automação. Saber formular perguntas, analisar resultados, comparar fontes e compreender diferentes perspectivas tende a continuar sendo parte fundamental da formação.
O debate também aponta para uma mudança na própria ideia de ambiente educacional. Com plataformas digitais, realidade estendida, inteligência artificial e recursos conectados, o aprendizado pode acontecer em diferentes espaços e formatos. A universidade e o instituto federal, nesse contexto, deixam de ser apenas locais físicos de transmissão de conhecimento e passam a integrar redes mais amplas de produção, circulação e colaboração acadêmica.
O VII Congresso Internacional da Rede de Educação OnLIFE ocorre em Florianópolis até 26 de setembro e reúne instituições de ensino superior e educação básica de diferentes países. A programação do evento combina pesquisa, formação e tecnologia para discutir como a educação pode responder às mudanças provocadas pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias digitais.
Mais do que apresentar ferramentas, o encontro coloca em debate o papel de estudantes e professores em um cenário no qual sistemas inteligentes passam a participar cada vez mais dos processos de aprendizagem. Para quem acompanha as transformações da vida acadêmica, a discussão ajuda a compreender por que o uso responsável e crítico da tecnologia deverá fazer parte da formação educacional nos próximos anos.
Fontes: