O reconhecimento de um estudo sobre bibliotecas universitárias no Prêmio Laura Russo 2025 representa muito mais do que uma conquista individual, ele chama atenção para o papel estratégico que essas instituições desempenham no ambiente acadêmico. Quando se fala em bibliotecas no contexto universitário, muitas vezes se pensa apenas em estantes de livros e salas de leitura silenciosas, mas a realidade é que esses espaços são centros de conhecimento vivo. Neste sentido, o destaque recebido por uma pesquisa desenvolvida na Unicamp destaca uma transformação necessária: bibliotecas universitárias devem ser vistas como hubs de ensino, pesquisa, extensão e promoção de competências essenciais para a formação crítica dos estudantes. Esse reconhecimento ressalta que o trabalho com informação qualificada ainda é um diferencial fundamental na educação superior brasileira.
O estudo premiado analisou de forma profunda como os estudantes interagem com as bibliotecas, demonstrando que a presença física de um acervo rico não é suficiente se não houver uma integração efetiva com os processos de ensino e aprendizagem. Em muitas universidades, observa-se que os alunos têm acesso a recursos incríveis, mas poucos conseguem utilizá-los de forma que realmente contribuam para sua formação profissional. A pesquisa mostrou que muitos estudantes ainda têm hábitos de busca que privilegiam mecanismos digitais de acesso público, sem considerar a curadoria e a validade acadêmica das fontes. Esse tipo de observação estimula gestões universitárias a repensarem como as bibliotecas podem promover não apenas acesso, mas uso consciente e produtivo das informações.
Ao destacar esse estudo, o Prêmio Laura Russo 2025 coloca em evidência a necessidade de políticas educativas que articulem melhor a biblioteca com cursos e disciplinas. A tese vencedora, orientada por um professor experiente, identificou que a biblioteca tem potencial para influenciar diretamente o eixo ensino-pesquisa, mas essa potencialidade é pouco explorada nos currículos. Quando a biblioteca é mencionada nos documentos acadêmicos, muitas vezes isso se limita a um repositório de trabalhos finais, negligenciando sua função como espaço de investigação crítica e desenvolvimento de autonomia intelectual. Essa reflexão é essencial para gestores acadêmicos, professores e bibliotecários que buscam elevar a qualidade da educação superior.
Outro ponto central da pesquisa foi a proposta concreta de um programa de desenvolvimento da competência em informação voltado para os estudantes. Essa proposta não surgiu do vazio, mas a partir de uma experiência exitosa com programas formativos que já vinham sendo aplicados em nível de pós-graduação. Essa adaptação para a graduação é um passo importante, porque capacita os alunos a identificar fontes confiáveis, organizar pesquisas e sistematizar referências de forma estruturada. Ao promover esse tipo de formação, as bibliotecas universitárias se tornam parceiras ativas no processo pedagógico e não simples espaços auxiliares de estudo.
A integração entre biblioteca e currículo permite que os estudantes reconheçam o valor da informação qualificada na construção de conhecimento sólido. Essa integração também reduz a falsa ideia de que tudo pode ser encontrado de forma imediata e confiável na internet. Ao educar os estudantes sobre o uso estratégico de bases de dados acadêmicas, catálogos e obras especializadas, as instituições promovem uma cultura de pesquisa mais responsável e crítica. Isso impacta diretamente a formação profissional, pois prepara futuros profissionais que dominam ferramentas intelectuais complexas e que podem aplicar esse conhecimento em contextos sociais e científicos mais amplos.
Receber um prêmio tão tradicional no campo da biblioteconomia demonstra que iniciativas que promovem essa integração são reconhecidas e valorizadas em todo o estado de São Paulo e no Brasil. A visibilidade proporcionada por essa premiação estimula outras instituições a investirem em estratégias que coloquem as bibliotecas no centro do processo educacional. Além disso, ao premiar trabalhos que apresentam propostas práticas e aplicáveis, o evento incentiva a profissionalização e a inovação na gestão dos serviços informacionais oferecidos pelas universidades, contribuindo para um sistema educacional mais eficiente e conectado com as necessidades contemporâneas.
Outro aspecto relevante é a visão ampliada de biblioteca como espaço de formação integral, onde não se busca apenas adquirir conteúdos técnicos, mas desenvolver pensamento crítico, investigação científica e autonomia intelectual. Essas competências são indispensáveis para a sociedade atual e futura, que exige cidadãos capazes de compreender problemas complexos, analisar dados e produzir conhecimento relevante. Ao enfatizar essa função educativa da biblioteca, o estudo premiado demonstra como esse ambiente pode ser um agente de transformação social e não apenas um local de apoio acadêmico tradicional.
Por fim, esse reconhecimento mostra que, quando as universidades valorizam seus espaços de informação e investem em programas pedagógicos inovadores, elas promovem uma formação de qualidade que ultrapassa as paredes das salas de aula. Bibliotecas universitárias bem articuladas com a vida acadêmica contribuem para uma cultura de pesquisa mais rica, estimulam a criatividade e preparam estudantes para serem multiplicadores do conhecimento em suas áreas de atuação. A reflexão trazida por esse estudo premiado desafia todas as instituições a repensarem suas práticas, fortalecendo assim a educação superior no Brasil.
Autor : Mikesh Sarsana